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A CHINA ESTÁ ENGOLINDO O “MADE IN GERMANY”
Manchete curta: CHINA JÁ COMPRA MENOS DA ALEMANHA — E VENDE CADA VEZ MAIS PARA ELA
No primeiro semestre, as exportações alemãs para a China despencaram mais de 12%, para menos de €37 bilhões. No sentido contrário, as importações alemãs de produtos chineses cresceram 8,9%, chegando a €91,8 bilhões. O déficit alemão com a China saltou de cerca de €40 bilhões para €55 bilhões. Em 2021, a China era o segundo maior destino das exportações alemãs; hoje é apenas o nono.
Por que importa: essa é uma mudança estrutural. A China deixou de ser apenas cliente da indústria ocidental e está substituindo importações por cadeias domésticas, ao mesmo tempo em que compete diretamente em automóveis, máquinas, eletrônicos e tecnologia. A própria indústria alemã enfrenta pressão chinesa, tarifas americanas e cortes de empregos.
Quem ganha: fabricantes chineses, fornecedores locais e países integrados às cadeias industriais asiáticas. Quem perde: Alemanha e fabricantes ocidentais incapazes de competir em preço, velocidade e tecnologia.
Brasil: o alerta é enorme. Exportar minério, petróleo e alimentos para a China continua importante, mas a vantagem de longo prazo está em industrializar aqui. O Brasil corre o mesmo risco de se tornar fornecedor de matéria-prima e comprador de produtos tecnológicos de maior valor agregado.
Benefício: produtos chineses mais baratos aumentam acesso e competição. Risco: desindustrialização e dependência tecnológica.
Curto prazo: pressão maior sobre carros, máquinas e eletrônicos europeus. Médio prazo: a China tende a disputar diretamente setores que durante décadas financiaram os altos salários industriais europeus. Isso é uma inferência baseada na rápida redução da dependência chinesa e no avanço das importações na Alemanha.
