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O que você está vendo não foi uma enchente comum.
Na quarta-feira, 26 de agosto, o colapso de uma enorme massa de gelo e rocha no Himalaia desencadeou uma sequência devastadora: os detritos bloquearam temporariamente um rio e, quando essa barreira natural cedeu, uma gigantesca corrente de água, lama, pedras e gelo avançou pelos vales na fronteira entre Nepal e Tibete.
Casas, estradas, pontes e usinas hidrelétricas foram destruídas. Vilarejos inteiros ficaram cobertos por lama. O governo do Nepal informa que 359 corpos já foram recuperados, enquanto moradores e turistas continuam desaparecidos. Só entre estrangeiros, 596 pessoas de 33 países ainda estavam desaparecidas na atualização oficial desta quinta-feira. Os números podem continuar mudando conforme avançam as buscas.
O mais impressionante é a força do fenômeno. Inicialmente, sensores chegaram a indicar um terremoto. Análises posteriores concluíram que o próprio colapso do glaciar e o deslocamento gigantesco de material produziram um sinal sísmico equivalente a um evento de magnitude 5,2.
E existe uma discussão ainda maior por trás dessa tragédia. Cientistas alertam que o aquecimento das regiões de grande altitude está reduzindo geleiras e pode contribuir para a instabilidade das montanhas. A relação específica com este desastre ainda está sendo investigada, portanto não dá para atribuí-lo exclusivamente às mudanças climáticas.
🇳🇵 Uma das maiores tragédias naturais recentes do Himalaia — e um alerta sobre como um planeta mais quente pode criar riscos que ainda estamos começando a compreender.
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